domingo, 16 de junho de 2013

O que acontece com o México?

Emir Sader


O México foi uma vanguarda do neoliberalismo na América Latina. Dos primeiros a implementar esse modelo no continente, acompanhou essa adoção com a primeira adesão regional a um Tratado de Livre Comércio – o Nafta, assinado em 1994, com os EUA e o Canadá.

Acreditou que iria rentabilizar ao máximo sua fronteira com a maior economia do mundo, distanciando-se de uma América Latina com perfil baixo nos anos 1990, e integrando-se definitivamente à América do Norte. Desde então, mais de 90% do seu comércio exterior se faz com os EUA, praticamente não tem comercio com a China e a Índia, e intercâmbios muito pequenos com a América do Sul – os eixos mais dinâmicos da economia mundial.

O livre comércio chegou sob a forma das indústrias de maquila, na fronteira norte, onde as corporações norte-americanas passaram a realizar as operações desqualificadas de suas empresas, usando mão-de-obra barata. A desnacionalização da economia chegou ao milho – alimento essencial para o povo mexicano –, quando o país passou a depender da produção e dos preços fixados pelos EUA.

O México é hoje um desastre social, econômico e politico. O pior é que a esquerda mexicana não conseguiu se valer do fracasso do projeto de livre comércio das elites e foi sucessivamente derrotada. É certo que uma parte dessas derrotas se devem a fraudes eleitorais – contra Cuahutemoc Cardenas e contra Lopez Obrador. Mas é também certo que a esquerda não conseguiu construir uma sólida maioria nacional, que superasse – como em outros países – as fraudes e o monopólio privado da mídia.

Nas últimas eleições, o candidato da esquerda concentrou sua agenda no ataque à corrupção – inquestionável – no México, ao invés de centrá-la no modelo neoliberal. A tal ponto que o movimento organizado por Lopez Obrador recebeu o nome de Movimento de Regeneração Nacional. Tanto o PRI, como o PAN ficaram livres de responder pelo fracassado modelo econômico. Puderam, assim, se dedicar a outros temas, inclusive a violência e o narcotráfico.

A esquerda mexicana não se deu conta de que as vitórias das forças progressistas na América Latina se deram ao centrar a luta nos seus países no combate ao neoliberalismo. Mesmo governos muito moderados, como o peruano – para citar exemplo de país que tem tratado de livre comércio com os EUA –, o triunfo de Ollanta Humala se deu pela oposição ao modelo neoliberal.

A esquerda mexicana sofreu, assim, grandes derrotas, sucessivamente, primeiro contra o PRI, depois contra o PAN e, agora, de novo, contra o PRI. Como é típico das derrotas, ela aprofundou a divisão na esquerda, com Lopez Obrador saindo do PRD para fundar um novo partido, o que se soma à existência dos zapatistas, os quais, mesmo com perfil muito baixo, seguem na sua luta. São pelo menos três forças distintas, que não atuam de forma unificada, não permitindo prever um desempenho mais favorável da esquerda nas eleições regionais e na presidencial.


É como se setores da esquerda mexicana apontassem na mesma direção dos EUA, que busca separar cada vez mais o México do resto do continente. Depois de uma longa trajetória de apoio às forças progressistas latino-americanas, a esquerda mexicana foi se afastando dos processos políticos do continente, justo quando, pela primeira vez, na América do Sul, convive importante quantidade de governos progressistas.

Idosos sonham com a felicidade e reclamam do desrespeito dos mais jovens

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Os brasileiros, com mais de 60 anos, sonham em viver ao lado de companheiros que saibam compartilhar bons e maus momentos. Mas reclamam do mau humor, do egoísmo, da frieza e desrespeito com que são tratados. No Brasil, há aproximadamente 22,3 milhões de idosos, dos quais 15,5 milhões são homens e mulheres que chefiam suas famílias e fazem planos para o futuro. A conclusão está na pesquisa Idosos no Brasil, do Instituto DataPopular, entidade de consultoria.
O diretor do Instituto DataPopular, Renato Meirelles, fez o levantamento de dados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e entrevistas nas principais cidades das cinco regiões do país, de outubro a dezembro de 2012. Segundo o pesquisador, 64% dos entrevistados reclamaram do mau humor, 55% do egoísmo, 46% do desrespeito e 25% da frieza.
“São pessoas que buscam o companheirismo e, não o suporte. São pessoas que querem companhia e não gostam de ficar sozinhas, mas reclamam também da forma como são tratadas”, disse à Agência Brasil.
Apesar de ainda não estar na faixa acima dos 60 anos, a aposentada Cleuza Maia dos Santos, de 56 anos, que mora em Planaltina de Goiás, resume nas suas observações o que a pesquisa concluiu. “As pessoas não têm mais paciência para andar com os idosos. Vejo muitos andando sozinhos por aí. Eu mesma tenho seis filhos e quando preciso de um para acompanhar não encontro. Estão todos ocupados. Já vi alguns idosos serem agredidos com palavras e com gestos”, contou.
A maioria dos idosos vive com alguém da família. Do total, cerca de 2,7 milhões dos homens e mulheres, com mais de 60 anos, moram sozinhos. Dos solitários, 1,8 milhão é formado por mulheres, enquanto 938 mil são homens. “O mais interessante da pesquisa foi verificar que essas pessoas continuam com esperança no futuro em serem felizes ou, como em alguns casos, em voltar a ser feliz”, ressaltou Meirelles.  
A pesquisa destacou também o perfil por gênero dos idosos. Do total de brasileiros, com mais de 60 anos, 55% são mulheres. Elas também são maioria em todas as faixas etárias – de 60 a mais de 100 anos. Nas faixas de 90 a 99 anos, 61,85% são mulheres, e acima de 100 anos, elas são 75%. “De uma forma geral, todos eles reclamam de um mesmo aspecto: o egoísmo das pessoas”, disse Meirelles.
O aposentado Manoel Lopes, de 61 anos, separado, também reclama da forma como os mais jovens tratam os idosos. “Acham que porque a pessoa está na terceira idade não vale mais nada, estão inativas. Fazem pouco caso dos idosos”, disse.
Edição: Carolina Pimentel//Texto atualizado às 11h56
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Lençóis Maranhenses têm 5,5 mil moradores de comunidades tradicionais

Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Mais de 5,5 mil pessoas de comunidades tradicionais vivem no território do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM), apesar de a lei ambiental não permitir a permanência de moradores nesse tipo de unidade de conservação. As comunidades vivem na região há mais de 200 anos e o governo ainda não iniciou o processo de desocupação do território desde que a unidade foi criada em 1981.

“O parque nunca foi objeto de políticas de regularização fundiária”, contou o biólogo e analista ambiental Yuri Teixeira Amaral, coordenador de Uso Público e chefe substituto da unidade. “Não temos um ambiente conservado como deveria ser. O parque não cumpre seus objetivos por causa das comunidades presentes”, completou.

As comunidades vivem basicamente da agricultura de subsistência, mas a pecuária também é tradicional na região. Amaral explica que os produtores sempre mantiveram a prática de deixar os animais em pastos naturais e as áreas do parque acabam servindo para o alimento de cabras, bodes, ovelhas e bois.

“Quando passam as chuvas, as áreas que formavam lagoas secam e viram pastagem. O maior problema é que além dos animais das comunidades, produtores que vivem fora do parque contratam os moradores como vaqueiros e colocam os animais no território”, contou Amaral.

O analista ambiental explicou que as comunidades que estavam na área antes da criação do parque têm direito aos imóveis e à produção de subsistência. Mas, segundo ele, essa situação provocada pelo conflito de leis acaba gerando impasses diários. “São pessoas pobres e sem instrução que mal têm acesso às políticas sociais. Há um povoado que chegou a receber energia elétrica, mas como a companhia energética não tinha licença, foi multada”.

A unidade ocupa mais de 155 mil hectares a quase mil quilômetros da capital do Maranhão, São Luís, passando pelos municípios de Barreirinhas, Primeira Cruz e Santo Amaro. O território tem mais de 70 quilômetros de praia e é nessa costa que está outro desafio para os administradores.

“A pesca de arrasto já é predatória por si só e temos uma área muito rica em camarões. Já fizemos mais de 15 autuações, mas é difícil controlar porque eles sabem que é uma área que tem estoque muito bom. O problema é que com o uso da rede os pescadores só aproveitam 20% do que fica preso. Os 80% são descartados e geralmente não sobrevivem”, disse o biólogo, citando espécies que vão desde peixes, crustáceos e estrela-do-mar, até tartarugas.

Amaral contou que a unidade também não tem controle sobre as visitações. Segundo ele, em uma estimativa conservadora é possível dizer que mais de 50 mil turistas visitam, anualmente, o parque. Mas como são dezenas de acessos e a unidade não conta com portarias e centro de visitantes, o controle não é eficiente.

“A visitação geralmente é feita por agências de turismo porque exigem carros com tração. Vira e mexe, essas agências descumprem as normas de conservação. Hoje, melhorou um pouco porque fizemos cadastros, mas temos que pensar em uma parceria público-privada ou em um sistema de concessão de ingressos em que a empresa ficaria responsável por esse controle”, frisou o biólogo.

Como em grande parte dos parques citados nas reportagens desta série produzida pela Agência Brasil, o número de servidores na unidade está aquém do que os próprios funcionários definem como ideal. Segundo Amaral, hoje apenas dois analistas ambientais e cinco técnicos atuam no parque. “O plano de manejo [elaborado em 2003] recomenda 84 funcionários, distribuídos nos três municípios”, disse, acrescentando que a estrutura também é precária.
Yuri Amaral acrescentou que o parque tem três postos, sendo a sede administrativa, que é alugada, e um terreno com prédios condenados, onde serão construídos o centro de visitantes e a sede administrativa, ainda em 2013.

O bioma Costeiro e Marinho reúne outros sete parques nacionais, como o Parque Marinho dos Abrolhos, na Bahia, formado por cinco ilhas e um dos locais responsáveis pela conservação de espécies como a anêmona-gigante, o pepino-do-mar, o tubarão-lima e corais, e o Parque do Cabo Orange, com a preservação de manguezais ao longo de mais de 657 mil hectares no Oiapoque, Amapá (AP).
Edição: Marcos Chagas
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Brasil estreia na Copa das Confederações com vitória contra o Japão

Danilo Macedo

Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Brasil estreou na Copa das Confederações com vitória. Um público de 67.423 torcedores aplaudiu a seleção brasileira ao fim da primeira partida no Estádio Nacional Mané Garrincha. Com gols de Neymar, aos três minutos do primeiro tempo; Paulinho, aos três minutos do segundo tempo, e de Jô, aos 47 minutos, a seleção canarinho derrotou o Japão por 3 x 0.
No segundo tempo, o técnico Luiz Felipe Scolari aproveitou o placar de 2 x 0 para fazer substituições. Neymar saiu para a entrada de Lucas, Hernanes substituiu Hulk e Jô, o autor do terceiro gol, entrou a dez minutos do fim da partida no lugar do atacante Fred.
Antes da partida, os torcedores que chegaram mais cedo ao estádio acompanharam a cerimônia de abertura da Copa das Confederações. Iniciado pontualmente às 14h25, o show durou 20 minutos e contou com várias apresentações. Porém, menos da metade da torcida havia chegado para ver o espetáculo.
Além de frases de boas vindas em vários idiomas e contagem regressiva em um grande mosaico humano formado no campo, voluntários vestidos com roupas típicas das oito nações que participam da competição (Brasil, Japão, Uruguai, México, Nigéria, Taiti, Espanha e Itália) agitaram o público.
Sob vaias, o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, e a presidenta Dilma Rousseff declararam iniciada oficialmente a Copa das Confederações 2013, que terá partidas em seis cidades brasileiras: Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Diante da reação do público, Blatter chegou a pedir fair play (que significa jogar limpo, ter espírito esportivo) à torcida. "Amigos do futebol brasileiro, onde está o respeito e o fair play, por favor?". Em seguida, a presidenta Dilma declarou aberta a competição.
Edição: Carolina Pimentel
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