terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sudeste concentra a maioria das residências artísticas do país, diz Funarte

Fonte: Agência Brasil - Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

As residências artísticas, como são conhecidos os espaços temporários de desenvolvimento da criatividade e interação, foram identificadas e catalogadas pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), que lançou hoje (4) o Mapeamento de Residências Artísticas no Brasil. O documento traçou o perfil das unidades, com objetivo de ajustar as políticas públicas, e mostrou que a maioria das residências está na Região Sudeste. Elas contam com investimentos próprios ou privados, o que, segundo os especialistas, dificultam o acesso de artistas brasileiros e refletem a desigualdade no acesso à arte.

Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos
Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos Tomaz Silva/Agência Brasil

Feito com base em questionários preenchidos pela internet, em 2013, o mapeamento identificou 191 projetos. Os estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, reúnem 110 unidades, seguidos dos da Região Nordeste, onde 39 residências foram encontradas. Os espaços recebem artistas por períodos e atividades variadas, com predominância das artes visuais.

“Não é exatamente um curso, uma viagem de intercâmbio, é uma experiência, um processo de imersão para pesquisas artísticas, de troca, seja na área de arte visual, teatro, dança, circo, música. O artista se desloca de contexto para empreender uma atividade”, explicou um dos autores do mapeamento, André Bezerra, da Funarte. Segundo ele, as residências, de diversos formatos, cresceram nos últimos anos e estão associadas à pesquisa e ao desenvolvimento da arte, a troca e tem potencial de se desenvolver fora das capitais.

Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos
Artistas estrangeiros e brasileiros participam de
residência artística no Lago das Artes. No local,
que também funciona como galeria e ateliê, os
artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos 
Tomaz Silva/Agência Brasil
O mapeamento da Funarte mostra que as residências são mantidas por recursos próprios (21,7%), financiamento privado (14,5%) por fundos e transferências governamentais (25,7%).  Dois terços das instituições empregam até cinco funcionários, mas algumas unidades chegam a ter mais de 50 pessoas trabalhando, do recepcionista ao curador.

As instituições que oferecem as residências, de acordo com o mapeamento, geralmente têm sedes próprias e são administradas por artistas, como é o caso do Largo das Artes, no centro do Rio de Janeiro. Aberto há dois anos, o local tem programação de um mês, para quem já mora no Rio, e para artistas de fora do estado. “Oferecemos acomodação, ateliê, suporte curatorial, evento final, abertura [de exposição]”, disse a diretora Consuelo Bassanesi. Os visitantes de fora passam os dias no ateliê, rodeados de museus, e dormem em apartamentos na zona sul.

Segundo Consuelo, por dificuldade de financiamento, a maioria dos artistas recebidos pelo Largos das Artes, é estrangeira, que consegue financiamento em seus países. Segundo ela, são escassos os fundos para os artistas nacionais e para as próprias residências artísticas. “Para o ano que vem, aprovamos duas brasileiras e indicamos organizações internacionais que costumam oferecer bolsas”, disse. O programa, de um mês, custa cerca de R$ 6 mil.

Durante a apresentação do mapeamento, em evento no Rio, Amilcar Packer, codiretor do programa internacional de residenciais artísticas de pesquisa, no Rio, defendeu que o governo crie formas de financiar as residências, por meio de projetos de longo prazo, de facilitar a compra de equipamentos utilizados nas práticas criativas e avalie isentar as unidades, que promovem a arte, de impostos como o IPTU (Imposto Patrimonial Territorial Urbano).

Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos
Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. 
No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e 
desenvolvem trabalhosTomaz Silva/Agência Brasil
“Tem que ser um programa de longo prazo, de dois a cinco anos, porque as unidades têm que fazer atividades contínuas, com antecedência, como a seleção dos artistas e a aquisição de equipamentos”, disse Amilcar, que também é professor convidado do Programa de Arte, Pesquisa e Prática da Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris, na França.

A Funarte estuda lançar um programa específico para estimular as residências artísticas. O seminário, no Rio, recebe contribuições que resultará em um documento que deve ser colocado para consulta pública no primeiro semestre de 2015.



INFLAÇÃO EM QUEDA - IPC-S recua em seis capitais na última semana de outubro

Fonte: Agencia Brasil

Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve queda em seis das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na última semana de outubro, na comparação com a semana anterior. O maior recuo foi observado em Salvador: 0,4 ponto percentual, ao cair de 0,61% para 0,21%.

O IPC-S calcula a variação de preços de produtos e serviços em sete capitais do país. A FGV, que apura o índice desde 2003, registra a evolução de preços de maneira quadrissemanal, com fechamentos nos dias 7, 15, 22 e 30 de cada mês.

Também tiveram queda as cidades de Belo Horizonte (0,17 ponto percentual, ao passar de 0,44% para 0,27%), Brasília (0,11 ponto percentual, ao passar de 0,46% para 0,35%), Recife (0,09 ponto percentual, ao passar de 0,42% para 0,33%), Porto Alegre (0,06 ponto percentual, ao passar de 0,66% para 0,6%) e Rio de Janeiro (0,02 ponto percentual, ao passar de 0,42% para 0,4%).

São Paulo foi a única das sete capitais a apresentar alta na taxa: 0,11 ponto percentual, ao passar de 0,42% para 0,53%. A média nacional do IPC-S, divulgada ontem (3), ficou em 0,43% na última semana de outubro, 0,06 ponto percentual abaixo da semana anterior.

O IPC-S integra o sistema de índices de preços ao consumidor da FGV, que inclui também: IPC-DI, IPC-M, IPC-10, IPC-3i e IPC-C1.

Mesmo com chuva, captação de água no Cantareira ainda está abaixo do consumo



Fonte: Agência Brasil
Marli Moreira - Agência Brasil

Em apenas três dias deste mês de novembro, o acumulado de chuva sobre o Sistema Cantareira superou em mais da metade o volume registrado em todo o mês de outubro, somando 23,9 milímetros ante 42,5 milímetros. Ainda assim não foi o bastante para evitar que o consumo continue sendo maior que o enchimento dos reservatórios.

Segundo a medição diária da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o nível desse manancial que abastece 6,5 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo (RMSP) caiu 0,2 ponto percentual de ontem (2) para hoje (3), e atingiu 11,9% de sua capacidade. Na última sexta-feira, o nível estava em 12,4% incluindo a segunda cota da reserva técnica que ainda não começou a ser bombeada.

Já o Sistema do Alto Tietê – de onde sai a água levada para 4,5 milhões de pessoas apresentou ligeira recuperação em relação à última sexta-feira quando a marca estava em 6,6%. Com 37 milímetros de acumulado de chuva, acima do registrado em todo o mês passado (20,1 mm) a captação subiu para 8,9%, no último sábado e manteve esse nível ontem (2). Mas hoje indica queda de 0,1 ponto percentual.Nos quatro mananciais restantes do total administrado pela Sabesp as captações diminuíram em relação ao que foi distribuído entre a última sexta-feira e a manhã desta segunda-feira. No Sistema Guarapiranga, a quantidade armazenada hoje era 38,4% ante 39,6% na última sexta-feira e 38,8% ontem. Sobre esse Sistema, o volume de chuva foi pequeno – 5,2 milímetros.

No Sistema Alto Cotia, o nível baixou de 30,1% na última sexta, para 29,7% com o registro de apenas 0,8 milímetros de chuva. No Sistema Rio Grande, de 69,1% para 68,2% com nenhuma ocorrência de chuva e, no Sistema Rio Claro, de 43,5% para 41,4%, com 2,8 milímetros de chuva.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estão mantidas as condições do tempo que favorecem mais pancadas de chuva entre o final da tarde e a noite, mas que podem ocorrer de forma isolada.

Editora: Denise Griesinger



Comissão de Anistia avalia pedido de intervenção como desconhecimento do passado

Fonte: Agencia Brasil
Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

A diretora da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Amarílis Tavares, lamentou hoje (3) a ocorrência de manifestações que pedem intervenção militar no país. “Falta conhecimento mais profundo sobre nosso passado autoritário, sobre como os direitos das pessoas, de uma sociedade inteira, foram violados”, avaliou, durante participação em congresso internacional no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), que ocorre até quarta-feira (5), com o tema Memória: Alicerce da Justiça de Transição e Direitos Humanos.

A avaliação é referente ao protesto que concentrou, no último sábado (1º), aproximadamente 1,5 mil pessoas, conforme estimativa da Polícia Militar (PM), na Avenida Paulista. Além da intervenção militar, os manifestantes pediam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, reeleita para mais um mandato no domingo (26). Embora considere um equívoco qualquer pedido de retorno ao período autoritário, Amarílis reconhece que esse tipo de expressão ocorre porque o país vive um ambiente democrático.
No segundo dia de congresso, palestrantes de diversos países da América Latina debateram a necessidade de avanços nos processos que levem à verdade, à reparação e à memória de períodos de exceção. A ideia majoritária é a criação de uma consciência social que reivindique o fim definitivo desses fatos. “Preservar a memória coletiva é uma forma de criar uma barreira contra esses crimes”, disse a pesquisadora argentina Maria José Guembe, do Centro de Estudios Legales e Sociales. Além de criar um ambiente interno de estabelecimento da verdade histórica, ela considera que relatos desse período de exceção nos países latinos deve ser compartilhado entre as nações.

Clara Ramírez-Barat, pesquisadora do International Center for Transitional Justice (Espanha), destacou que a memorialização do período autoritário cumpre também o papel de reconhecimento das vítimas como sujeitos fundamentais para o restabelecimento da democracia. “Aumentar a consciência e o reconhecimento da repressão tornam essas atrocidades acessíveis ao público em geral”, declarou. Segundo ela, com a verdade se constrói uma ruptura simbólica com o passado e uma sociedade sobre bases de uma cultura democrática.

Na avaliação da coordenadora do Instituto de Direitos Humanos do Peru, Iris Jave, a Comissão da Verdade peruana, que atuou entre 2001 e 2003, foi importante para impulsionar o surgimento de espaços de preservação da memória. “Abrimos uma janela de oportunidades para que se desse impulso a várias organizações. Até 2012, já tínhamos 103 [espaços]”, destacou.

Amarílis Tavares também aposta no relatório da comissão brasileira, previsto para o fim deste ano, para avançar processos da justiça de transição (procedimentos adotados pelos estados para consolidação da ordem democrática), entre eles o julgamento de torturadores.
Até dia 5, farão palestras Valeria Barbuto (diretora do Memoria Abierta, da Argentina), Ywynuhu Suruí (do povo Aikewara, na região do Araguaia) e Shyamali Nasreen Chaudhury (sobrevivente do genocídio em Bangladesh). Hoje, às 18h, haverá uma ato em memória aos 45 anos da morte de Carlos Marighella, líder da resistência à ditadura brasileira. Além de militantes políticos da época, o ato contará com a presença de Clara Charf e Carlos Marighella Filho, respectivamente viúva e filho do guerrilheiro.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Padre Djacy Brasileiro: DEPOIMENTO INSUSPEITO: O QUE OUVI DE DIVERSAS PESSOAS POBRES SOBRE A MÉDICA CUBANA

medica-cubana--500x260Por Padre Djacy Brasileiro, na coluna Polêmica Paraíba, publicada no Jornal da Paraíba.

Na manhã desta quarta-feira, sob um sol causticante e calor de torrar, visitei algumas comunidades rurais do município de Boaventura, no alto sertão paraibano. O objetivo dessa visita consistiu em ouvir as pessoas sobre a atuação da médica cubana.

Fiz, com muita responsabilidade, seriedade e respeito, algumas perguntas à diversas pessoas. Confesso que fiquei emocionado, admirado, com suas respostas honestas, sinceras e objetivas.

As comunidades visitadas foram: Várzea da Cruz, Barrocão e Angico.

Vejam o que falaram (Transcrição literal).

Dona Lenice:
-Gostei de ser consultada pela médica cubana. Atende muito bem

Seu José Xavier:
-Gostei do atendimento dela.
-Pela minha pessoa ,dou nota dez a ela. Ela é muito legal.

Dona Gerlandia:
-Fui atendida por ela. Para mim, foi ótima.
-O atendimento dela foi demorado. Ela pergunta tudo sobre o que a gente sente. Ela olha bem pra nós. E só passa remédio bom.
-Ela é uma pessoa simples.
-Enquanto tem gente, ela atende.

Seu José Coelho:
-Minha esposa foi bem atendida pela médica de Cuba.
-Deu pra gente entender bem o que ela falava.
-Na comunidade, todo mundo fala que o atendimento é muito bom.

Dona Verônica:
-A consulta dela é bem demorada.
-Foi a primeira vez que vi tanta gente correndo para ser atendida por essa médica. É porque o povo gosta do atendimento dela. A gente pode falar tudo o que sente, e ela fica ouvindo a gente. A consulta é demorada por conta disso.

Dona Valéria:
-O atendimento dessa médica é excelente. Ela escuta o paciente. Examina muito bem.
-Ela tem hora de chegar, mas de sair, não tem.Só vai embora quando atende todo mundo.
-Ela atende até a última pessoa. Num dia desse eram mais de 40 pessoas e ela atendeu todo mundo.
-A comunidade está muito satisfeita com essa doutora de Cuba.
-Se um doente chamar a doutora no meio da rua para se consultar, ela atende com muito amor.
-Quando ela ver a gente ,ela fala com maior carinho. Ela não tem cara feia. Ela atende a gente com maior prazer. É incrível isso.
-A comunidade está feliz com essa médica.

Dona Maria Jose:
-Dá para entender o que ela fala.
-Todo mundo tá gostando dela. Ela não tem besteira.
-Na consulta, ela pergunta tudo. Por conta que ela é muito boa, eu dou nota dez a ela.

Kelly:
-Ela é muito educada.
-Gosto muito dela porque ela atende bem as pessoas.
-Eu só gosto de me consultar com ela.
-Ela espera a pessoa doente falar, para depois ela falar. Nota dez pra ela.

Dona Maria :
-Enquanto não termina de consultar, ela não vai almoçar. Ela atende todo mundo com muita calma e paciência.

Seu Cloves:
-A consulta dela é demorada porque ela pergunta tudo. Não dou nota mil a ela porque não pode, mais dez eu dou. Ela merece.

Seu Pedro:
-Todos da comunidade estão gostando dela. Uma boa médica.
-Ninguém reclama do atendimento dela

Genely:
-Ela veio porque gosta da profissão.
-Ela veio ajudar os mais carentes.
-Quando a gente ver, nem pensa que é doutora ,porque ela é simples demais. Ela fala com todo mundo. Ela é muito humana, sensível. A gente nota que ela faz tudo por amor aos pobres.
-A população está amando essa médica, porque ela é do povo. Ela é muito popular, amiga.
-Uma vez ela veio almoçar três horas da tarde, porque estava atendendo todo mundo. Ela vai almoçar quando termina de atender todo mundo. Ela é boa demais.
-O atendimento da médica cubana é diferente do atendimento dos médicos brasileiros.
-Ela veio na hora em que a gente mais precisava.
-Ela caiu do céu, na hora certa.
-Ela é muito humana. É um amor de pessoa.
-Ela parece com um de nós. Não parece ser doutora, devido sua simplicidade e humildade.
-Para nossa comunidade, ela está sendo uma mãe.

Dona Francisca:
-Estou amando ela. Ela é superlegal.
-Ela dá muito atenção aos doentes. Ela atende bem demais.
-Eu entendo tudo o que ela fala. Não tenho dificuldade para entender o que ela diz.
-Nem parece ser estrangeira, ela fala como nós. Todo mundo entende o que ela fala.
-Só se for um burro para não entender o que a médica cubana fala. Porque eu entendo tudo o que ela fala.
-Eu acho que ela trabalha por amor aos pobres. Ela é boa demais. Ela ouve com paciência os doentes. Nunca vi coisa igual nesta cidade.
-Só queria que todos os médicos do Brasil fossem como ela.

Dona Maria de Lourdes:
-Ela faz uma consulta muito bem feita.
-Quando ela chega na comunidade, é tanta gente pra se consultar com ela. Ela só sai quando atende todo mundo.
-Na consulta, ela pergunta tudo.
-Ela anda nas nossas casas. Ela é tão simples, tão humilde. Ela não gosta de ser chique.

Na fé, no amor e na luta. Avante!

Nos caminhos do “mais médicos”.

Padre Djacy
P.Brasileiro,em 26 de fevereiro de 2014

Reblogado do website Jornal da Paraíba



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

CARNAVAL 2014: Campanha "Bebeu, perdeu" alerta jovens para consumo de álcool no carnaval

por Alex Rodrigues - Agência Brasil - 24.02.2014
Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo,
lança campanha Bebeu, Perdeu,
que pretende alertar sobre o
consumo de álcool, cuja venda
é proibida para adolescentes em todo o país
(Antonio Cruz/Agência Brasil)
Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, lança campanha Bebeu, Perdeu, que pretende alertar sobre o consumo de álcool, cuja venda é proibida para adolescentes em todo o país (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Com a proximidade do Carnaval, quando aumenta o consumo de bebidas alcoólicas, o Ministério da Justiça lançou hoje (24) uma campanha para conscientizar quem tem menos de 18 anos sobre os malefícios do álcool. Com o mote “Bebeu, perdeu”, a iniciativa também visa a sensibilizar os comerciantes a não vender o produto para crianças e jovens - prática criminosa que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pode ser punida com até quatro anos de prisão e multa.

Cinco vídeos publicitários apresentando jovens em situações vexaminosas devido ao consumo de álcool (ressaca, desmaio, mal-estar, entre outras situações que impede o jovem de aproveitar o Carnaval) já disponíveis no canal do ministério no YouTube vão ser exibidos em salas de cinema de cinco cidades com forte tradição de carnaval de rua - Belo Horizonte, Ouro Preto (MG), Recife, Rio de Janeiro, Salvador - onde também serão divulgados outdoors e painéis alusivos à campanha.

A estratégia de comunicação foi elaborada a partir dos resultados de uma pesquisa encomendada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o estudo, feito em 2010, 60% dos jovens estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio, de escolas públicas e particulares, responderam já ter consumido álcool ao menos uma vez na vida. Desses, 15,4% tinham entre 10 e 12 anos, e 43,6% entre 13 e 15 anos.

"A questão do [consumo] de álcool é delicada. Na adolescência, então, é delicadíssima. Por isso fazemos um apelo a todos os comerciantes para que cumpram a lei e não vendam álcool a menores de 18 anos. Apelamos aos gestores locais para que se empenhem na fiscalização e, evidentemente, aos adolescentes, para que percebam que a vida pode ser curtida com muita alegria e felicidade sem o consumo de álcool", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

De acordo com o secretário nacional de Política sobre Drogas, Vitore Maximiano, os dados sobre o consumo de álcool por menores de 18 anos é preocupante, principalmente porque, embora a pesquisa da Unifesp não aponte, sabe-se que muitos desses jovens têm acesso à bebida no ambiente doméstico, na companhia de parentes.  

"Há casos de o álcool ser oferecido pela própria família, o que acaba estimulando o consumo. Isso nos preocupa muitíssimo", disse o secretário. Ele informou que a secretaria oferece a educadores de todo o país um curso de capacitação para que os profissionais saibam identificar e lidar com essa situação. As inscrições para as novas turmas estão abertas até a próxima sexta-feira. Estão sendo oferecidas 100 mil vagas em todo o Brasil e os cursos são ministrados por algumas das principais instituições universitárias do país. Os interessados podem ter mais informações na secretaria, pelo telefone (61) 2025.7200 ou pelo site www.senad.gov.br.

O custo de produção dos cinco vídeos institucionais e de veiculação de todas as peças publicitárias, incluindo outdoors e painéis, alcançou R$ 5 milhões. Nas emissoras de TV comerciais, no entanto, os vídeos serão exibidos como propaganda institucional gratuita.

Editor: Davi Oliveira

·         Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0


domingo, 16 de junho de 2013

O que acontece com o México?

Emir Sader


O México foi uma vanguarda do neoliberalismo na América Latina. Dos primeiros a implementar esse modelo no continente, acompanhou essa adoção com a primeira adesão regional a um Tratado de Livre Comércio – o Nafta, assinado em 1994, com os EUA e o Canadá.

Acreditou que iria rentabilizar ao máximo sua fronteira com a maior economia do mundo, distanciando-se de uma América Latina com perfil baixo nos anos 1990, e integrando-se definitivamente à América do Norte. Desde então, mais de 90% do seu comércio exterior se faz com os EUA, praticamente não tem comercio com a China e a Índia, e intercâmbios muito pequenos com a América do Sul – os eixos mais dinâmicos da economia mundial.

O livre comércio chegou sob a forma das indústrias de maquila, na fronteira norte, onde as corporações norte-americanas passaram a realizar as operações desqualificadas de suas empresas, usando mão-de-obra barata. A desnacionalização da economia chegou ao milho – alimento essencial para o povo mexicano –, quando o país passou a depender da produção e dos preços fixados pelos EUA.

O México é hoje um desastre social, econômico e politico. O pior é que a esquerda mexicana não conseguiu se valer do fracasso do projeto de livre comércio das elites e foi sucessivamente derrotada. É certo que uma parte dessas derrotas se devem a fraudes eleitorais – contra Cuahutemoc Cardenas e contra Lopez Obrador. Mas é também certo que a esquerda não conseguiu construir uma sólida maioria nacional, que superasse – como em outros países – as fraudes e o monopólio privado da mídia.

Nas últimas eleições, o candidato da esquerda concentrou sua agenda no ataque à corrupção – inquestionável – no México, ao invés de centrá-la no modelo neoliberal. A tal ponto que o movimento organizado por Lopez Obrador recebeu o nome de Movimento de Regeneração Nacional. Tanto o PRI, como o PAN ficaram livres de responder pelo fracassado modelo econômico. Puderam, assim, se dedicar a outros temas, inclusive a violência e o narcotráfico.

A esquerda mexicana não se deu conta de que as vitórias das forças progressistas na América Latina se deram ao centrar a luta nos seus países no combate ao neoliberalismo. Mesmo governos muito moderados, como o peruano – para citar exemplo de país que tem tratado de livre comércio com os EUA –, o triunfo de Ollanta Humala se deu pela oposição ao modelo neoliberal.

A esquerda mexicana sofreu, assim, grandes derrotas, sucessivamente, primeiro contra o PRI, depois contra o PAN e, agora, de novo, contra o PRI. Como é típico das derrotas, ela aprofundou a divisão na esquerda, com Lopez Obrador saindo do PRD para fundar um novo partido, o que se soma à existência dos zapatistas, os quais, mesmo com perfil muito baixo, seguem na sua luta. São pelo menos três forças distintas, que não atuam de forma unificada, não permitindo prever um desempenho mais favorável da esquerda nas eleições regionais e na presidencial.


É como se setores da esquerda mexicana apontassem na mesma direção dos EUA, que busca separar cada vez mais o México do resto do continente. Depois de uma longa trajetória de apoio às forças progressistas latino-americanas, a esquerda mexicana foi se afastando dos processos políticos do continente, justo quando, pela primeira vez, na América do Sul, convive importante quantidade de governos progressistas.