terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sudeste concentra a maioria das residências artísticas do país, diz Funarte

Fonte: Agência Brasil - Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

As residências artísticas, como são conhecidos os espaços temporários de desenvolvimento da criatividade e interação, foram identificadas e catalogadas pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), que lançou hoje (4) o Mapeamento de Residências Artísticas no Brasil. O documento traçou o perfil das unidades, com objetivo de ajustar as políticas públicas, e mostrou que a maioria das residências está na Região Sudeste. Elas contam com investimentos próprios ou privados, o que, segundo os especialistas, dificultam o acesso de artistas brasileiros e refletem a desigualdade no acesso à arte.

Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos
Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos Tomaz Silva/Agência Brasil

Feito com base em questionários preenchidos pela internet, em 2013, o mapeamento identificou 191 projetos. Os estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, reúnem 110 unidades, seguidos dos da Região Nordeste, onde 39 residências foram encontradas. Os espaços recebem artistas por períodos e atividades variadas, com predominância das artes visuais.

“Não é exatamente um curso, uma viagem de intercâmbio, é uma experiência, um processo de imersão para pesquisas artísticas, de troca, seja na área de arte visual, teatro, dança, circo, música. O artista se desloca de contexto para empreender uma atividade”, explicou um dos autores do mapeamento, André Bezerra, da Funarte. Segundo ele, as residências, de diversos formatos, cresceram nos últimos anos e estão associadas à pesquisa e ao desenvolvimento da arte, a troca e tem potencial de se desenvolver fora das capitais.

Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos
Artistas estrangeiros e brasileiros participam de
residência artística no Lago das Artes. No local,
que também funciona como galeria e ateliê, os
artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos 
Tomaz Silva/Agência Brasil
O mapeamento da Funarte mostra que as residências são mantidas por recursos próprios (21,7%), financiamento privado (14,5%) por fundos e transferências governamentais (25,7%).  Dois terços das instituições empregam até cinco funcionários, mas algumas unidades chegam a ter mais de 50 pessoas trabalhando, do recepcionista ao curador.

As instituições que oferecem as residências, de acordo com o mapeamento, geralmente têm sedes próprias e são administradas por artistas, como é o caso do Largo das Artes, no centro do Rio de Janeiro. Aberto há dois anos, o local tem programação de um mês, para quem já mora no Rio, e para artistas de fora do estado. “Oferecemos acomodação, ateliê, suporte curatorial, evento final, abertura [de exposição]”, disse a diretora Consuelo Bassanesi. Os visitantes de fora passam os dias no ateliê, rodeados de museus, e dormem em apartamentos na zona sul.

Segundo Consuelo, por dificuldade de financiamento, a maioria dos artistas recebidos pelo Largos das Artes, é estrangeira, que consegue financiamento em seus países. Segundo ela, são escassos os fundos para os artistas nacionais e para as próprias residências artísticas. “Para o ano que vem, aprovamos duas brasileiras e indicamos organizações internacionais que costumam oferecer bolsas”, disse. O programa, de um mês, custa cerca de R$ 6 mil.

Durante a apresentação do mapeamento, em evento no Rio, Amilcar Packer, codiretor do programa internacional de residenciais artísticas de pesquisa, no Rio, defendeu que o governo crie formas de financiar as residências, por meio de projetos de longo prazo, de facilitar a compra de equipamentos utilizados nas práticas criativas e avalie isentar as unidades, que promovem a arte, de impostos como o IPTU (Imposto Patrimonial Territorial Urbano).

Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos
Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. 
No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e 
desenvolvem trabalhosTomaz Silva/Agência Brasil
“Tem que ser um programa de longo prazo, de dois a cinco anos, porque as unidades têm que fazer atividades contínuas, com antecedência, como a seleção dos artistas e a aquisição de equipamentos”, disse Amilcar, que também é professor convidado do Programa de Arte, Pesquisa e Prática da Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris, na França.

A Funarte estuda lançar um programa específico para estimular as residências artísticas. O seminário, no Rio, recebe contribuições que resultará em um documento que deve ser colocado para consulta pública no primeiro semestre de 2015.



INFLAÇÃO EM QUEDA - IPC-S recua em seis capitais na última semana de outubro

Fonte: Agencia Brasil

Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve queda em seis das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na última semana de outubro, na comparação com a semana anterior. O maior recuo foi observado em Salvador: 0,4 ponto percentual, ao cair de 0,61% para 0,21%.

O IPC-S calcula a variação de preços de produtos e serviços em sete capitais do país. A FGV, que apura o índice desde 2003, registra a evolução de preços de maneira quadrissemanal, com fechamentos nos dias 7, 15, 22 e 30 de cada mês.

Também tiveram queda as cidades de Belo Horizonte (0,17 ponto percentual, ao passar de 0,44% para 0,27%), Brasília (0,11 ponto percentual, ao passar de 0,46% para 0,35%), Recife (0,09 ponto percentual, ao passar de 0,42% para 0,33%), Porto Alegre (0,06 ponto percentual, ao passar de 0,66% para 0,6%) e Rio de Janeiro (0,02 ponto percentual, ao passar de 0,42% para 0,4%).

São Paulo foi a única das sete capitais a apresentar alta na taxa: 0,11 ponto percentual, ao passar de 0,42% para 0,53%. A média nacional do IPC-S, divulgada ontem (3), ficou em 0,43% na última semana de outubro, 0,06 ponto percentual abaixo da semana anterior.

O IPC-S integra o sistema de índices de preços ao consumidor da FGV, que inclui também: IPC-DI, IPC-M, IPC-10, IPC-3i e IPC-C1.

Mesmo com chuva, captação de água no Cantareira ainda está abaixo do consumo



Fonte: Agência Brasil
Marli Moreira - Agência Brasil

Em apenas três dias deste mês de novembro, o acumulado de chuva sobre o Sistema Cantareira superou em mais da metade o volume registrado em todo o mês de outubro, somando 23,9 milímetros ante 42,5 milímetros. Ainda assim não foi o bastante para evitar que o consumo continue sendo maior que o enchimento dos reservatórios.

Segundo a medição diária da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o nível desse manancial que abastece 6,5 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo (RMSP) caiu 0,2 ponto percentual de ontem (2) para hoje (3), e atingiu 11,9% de sua capacidade. Na última sexta-feira, o nível estava em 12,4% incluindo a segunda cota da reserva técnica que ainda não começou a ser bombeada.

Já o Sistema do Alto Tietê – de onde sai a água levada para 4,5 milhões de pessoas apresentou ligeira recuperação em relação à última sexta-feira quando a marca estava em 6,6%. Com 37 milímetros de acumulado de chuva, acima do registrado em todo o mês passado (20,1 mm) a captação subiu para 8,9%, no último sábado e manteve esse nível ontem (2). Mas hoje indica queda de 0,1 ponto percentual.Nos quatro mananciais restantes do total administrado pela Sabesp as captações diminuíram em relação ao que foi distribuído entre a última sexta-feira e a manhã desta segunda-feira. No Sistema Guarapiranga, a quantidade armazenada hoje era 38,4% ante 39,6% na última sexta-feira e 38,8% ontem. Sobre esse Sistema, o volume de chuva foi pequeno – 5,2 milímetros.

No Sistema Alto Cotia, o nível baixou de 30,1% na última sexta, para 29,7% com o registro de apenas 0,8 milímetros de chuva. No Sistema Rio Grande, de 69,1% para 68,2% com nenhuma ocorrência de chuva e, no Sistema Rio Claro, de 43,5% para 41,4%, com 2,8 milímetros de chuva.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estão mantidas as condições do tempo que favorecem mais pancadas de chuva entre o final da tarde e a noite, mas que podem ocorrer de forma isolada.

Editora: Denise Griesinger



Comissão de Anistia avalia pedido de intervenção como desconhecimento do passado

Fonte: Agencia Brasil
Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

A diretora da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Amarílis Tavares, lamentou hoje (3) a ocorrência de manifestações que pedem intervenção militar no país. “Falta conhecimento mais profundo sobre nosso passado autoritário, sobre como os direitos das pessoas, de uma sociedade inteira, foram violados”, avaliou, durante participação em congresso internacional no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), que ocorre até quarta-feira (5), com o tema Memória: Alicerce da Justiça de Transição e Direitos Humanos.

A avaliação é referente ao protesto que concentrou, no último sábado (1º), aproximadamente 1,5 mil pessoas, conforme estimativa da Polícia Militar (PM), na Avenida Paulista. Além da intervenção militar, os manifestantes pediam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, reeleita para mais um mandato no domingo (26). Embora considere um equívoco qualquer pedido de retorno ao período autoritário, Amarílis reconhece que esse tipo de expressão ocorre porque o país vive um ambiente democrático.
No segundo dia de congresso, palestrantes de diversos países da América Latina debateram a necessidade de avanços nos processos que levem à verdade, à reparação e à memória de períodos de exceção. A ideia majoritária é a criação de uma consciência social que reivindique o fim definitivo desses fatos. “Preservar a memória coletiva é uma forma de criar uma barreira contra esses crimes”, disse a pesquisadora argentina Maria José Guembe, do Centro de Estudios Legales e Sociales. Além de criar um ambiente interno de estabelecimento da verdade histórica, ela considera que relatos desse período de exceção nos países latinos deve ser compartilhado entre as nações.

Clara Ramírez-Barat, pesquisadora do International Center for Transitional Justice (Espanha), destacou que a memorialização do período autoritário cumpre também o papel de reconhecimento das vítimas como sujeitos fundamentais para o restabelecimento da democracia. “Aumentar a consciência e o reconhecimento da repressão tornam essas atrocidades acessíveis ao público em geral”, declarou. Segundo ela, com a verdade se constrói uma ruptura simbólica com o passado e uma sociedade sobre bases de uma cultura democrática.

Na avaliação da coordenadora do Instituto de Direitos Humanos do Peru, Iris Jave, a Comissão da Verdade peruana, que atuou entre 2001 e 2003, foi importante para impulsionar o surgimento de espaços de preservação da memória. “Abrimos uma janela de oportunidades para que se desse impulso a várias organizações. Até 2012, já tínhamos 103 [espaços]”, destacou.

Amarílis Tavares também aposta no relatório da comissão brasileira, previsto para o fim deste ano, para avançar processos da justiça de transição (procedimentos adotados pelos estados para consolidação da ordem democrática), entre eles o julgamento de torturadores.
Até dia 5, farão palestras Valeria Barbuto (diretora do Memoria Abierta, da Argentina), Ywynuhu Suruí (do povo Aikewara, na região do Araguaia) e Shyamali Nasreen Chaudhury (sobrevivente do genocídio em Bangladesh). Hoje, às 18h, haverá uma ato em memória aos 45 anos da morte de Carlos Marighella, líder da resistência à ditadura brasileira. Além de militantes políticos da época, o ato contará com a presença de Clara Charf e Carlos Marighella Filho, respectivamente viúva e filho do guerrilheiro.