Fonte: Agência Brasil - Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado
As residências
artísticas, como são conhecidos os espaços temporários de desenvolvimento da
criatividade e interação, foram identificadas e catalogadas pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), que
lançou hoje (4) o Mapeamento de Residências Artísticas no
Brasil. O documento traçou o perfil das unidades, com objetivo de
ajustar as políticas públicas, e mostrou que a maioria das residências está na
Região Sudeste. Elas contam com investimentos próprios ou privados, o que,
segundo os especialistas, dificultam o acesso de artistas brasileiros e
refletem a desigualdade no acesso à arte.
| Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos |
Feito com base em questionários preenchidos pela
internet, em 2013, o mapeamento identificou 191 projetos. Os estados de
São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, reúnem 110 unidades, seguidos
dos da Região Nordeste, onde 39 residências foram encontradas. Os espaços
recebem artistas por períodos e atividades variadas, com predominância das
artes visuais.
“Não é exatamente um curso, uma viagem de
intercâmbio, é uma experiência, um processo de imersão para pesquisas
artísticas, de troca, seja na área de arte visual, teatro, dança, circo,
música. O artista se desloca de contexto para empreender uma atividade”,
explicou um dos autores do mapeamento, André Bezerra, da Funarte. Segundo ele,
as residências, de diversos formatos, cresceram nos últimos anos e estão
associadas à pesquisa e ao desenvolvimento da arte, a troca e tem potencial de
se desenvolver fora das capitais.
| Artistas estrangeiros e brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes. No local, que também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e desenvolvem trabalhos |
O mapeamento da Funarte mostra que as residências são mantidas por recursos
próprios (21,7%), financiamento privado (14,5%) por fundos e transferências
governamentais (25,7%). Dois terços das instituições empregam até cinco
funcionários, mas algumas unidades chegam a ter mais de 50 pessoas
trabalhando, do recepcionista ao curador.
As instituições que oferecem as residências, de
acordo com o mapeamento, geralmente têm sedes próprias e são administradas por
artistas, como é o caso do Largo das Artes, no centro
do Rio de Janeiro. Aberto há dois anos, o local tem programação de um mês, para
quem já mora no Rio, e para artistas de fora do estado. “Oferecemos acomodação,
ateliê, suporte curatorial, evento final, abertura [de exposição]”, disse a
diretora Consuelo Bassanesi. Os visitantes de fora passam os dias no ateliê,
rodeados de museus, e dormem em apartamentos na zona sul.
Segundo Consuelo, por dificuldade de financiamento,
a maioria dos artistas recebidos pelo Largos das Artes, é estrangeira, que consegue
financiamento em seus países. Segundo ela, são escassos os fundos para os
artistas nacionais e para as próprias residências artísticas. “Para o ano que
vem, aprovamos duas brasileiras e indicamos organizações internacionais que
costumam oferecer bolsas”, disse. O programa, de um mês, custa cerca de R$ 6
mil.
Durante a apresentação do mapeamento, em evento no
Rio, Amilcar Packer, codiretor do programa internacional de residenciais
artísticas de pesquisa, no Rio, defendeu que o governo crie formas de financiar
as residências, por meio de projetos de longo prazo, de facilitar a compra de
equipamentos utilizados nas práticas criativas e avalie isentar as unidades,
que promovem a arte, de impostos como o IPTU (Imposto Patrimonial Territorial
Urbano).
Artistas estrangeiros e
brasileiros participam de residência artística no Lago das Artes.
No local, que
também funciona como galeria e ateliê, os artistas pesquisam e
desenvolvem trabalhos
“Tem que ser um programa de longo prazo, de dois a cinco anos, porque as
unidades têm que fazer atividades contínuas, com antecedência, como a seleção
dos artistas e a aquisição de equipamentos”, disse Amilcar, que também é
professor convidado do Programa de Arte, Pesquisa e Prática da Escola Nacional
Superior de Belas Artes de Paris, na França.
A Funarte estuda lançar um programa específico para
estimular as residências artísticas. O seminário, no Rio, recebe contribuições
que resultará em um documento que deve ser colocado para consulta pública no
primeiro semestre de 2015.

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